Palavra de Mãe




Mãe, 
Quando entrei em casa,
Estava 
com um misto de tristeza e raiva 
que não consegui disfarçar a minha mágoa! 

Abri a porta do seu quarto 
Imediatamente. 
Num gostoso abraço, 
Você me recebeu amorosamente.

Preocupada, pediu pra eu me sentar 
para eu poder te contar 
o que me fizeram passar, 
E aí, eu nem segurei as palavras 
pelo ódio que corroía toda a minha alma. 

Xinguei, gritei, 
Chorei, desabafei 
O que tinha me feito 
Uma pessoa cruel com tanto defeito. 

Você me ouviu pacientemente 
E em seguida disse serenamente: 
"Eu espero que você não exija que a outra pessoa seja perfeita. 
Eu nem você devemos nos iludir pela certeza 
De que erramos mesmo com bom coração. 
Podemos julgar a atitude, mas a pessoa não." 

"Eu nem você podemos impedir que o outro erre, 
Mas posso te ensinar a perdoar para que o ódio se encerre 
E a ver o outro como espirito aprendiz 
Para você não desanimar a cada atitude alheia infeliz. 
A sua maior defesa é o perdão 
E não a violência se realmente quer tranquilizar o seu coração." 

Depois de uma boa reflexão, 
Tranquilizei meu coração, 
pois aprendi a perdoar, 
o tempo de cada um aceitar, 
e como as pessoas são procurei amar 
Já que devemos nos respeitar, 
uns com os outros dialogar, 
nossos defeitos rever
e assim, pouco a pouco aprender... 

Comentários:
1. Esse poema é uma segunda versão do poema "Vergonha na Cara", que eu publiquei dia 4 de maio de 2018 nesse blog. Os dois poemas são poemas em que trazem um diálogo ou uma interação entre mãe e filha. Nessa poema original, a filha estava chorando por um erro que ela cometeu. Já o poema acima, a filha está chorando por um erro alheio. A mensagem é semelhante de propósito.
Link de Vergonha na Cara: https://rumoaminhamente.blogspot.com/2018/05/vergonha-na-cara.html
2. A ideia de fazer diálogos entre papeis sociais ou sentimentos veio do texto "Alfinete e Agulha" de Machado de Assis. Texto do livro "Para Gostar de Ler - Volume 9 - Contos", Editora Ática - São Paulo, 1984, pág. 59.
Link da obra de Machado: https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=1524

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