Singular Casa


Vou a uma casa
Construída por uma fada
Com cogumelos na frente
E uma árvore a sustentando paciente.

Entrarei num lugar em mim
Com cheiro de alecrim
Enraizado na minha natureza
Para recordar a minha essência.

A árvore no centro ajuda
E a escada o troco costura
Para que as telham tenham sustentação
Se tornando parte integrante da construção.

Uma inesperada vista
Contempla quem a visita
Podendo vislumbrar a floresta
Que a envolve e ela afeta.

Seja com chuva,
Seja com os animais fazendo música,
Seja com a lua,
Seja com a tempestade dura

Quem dera eu pudesse 
tomar um chá da tarde
com uma fada que me desse
a chance de cantarmos juntas sem alarde. 

Eu e a fada com os animais,
tornamos a floresta no nosso palco,
e convidamos você, leitor, e quem mais
a vir e cantar conosco nesse mesmo espaço. 

Nossas vozes ecoam pela floresta
com delicadeza e encanto. 
Nossos espíritos se elevam numa festa
com a natureza em pleno canto. 

O pranto é aliviado 
com esse canto encantado
e então essa fada se despede voando 
e com a beleza de suas asas nos encantando.

A fada já não está mais ali na nossa frente. 
Ela pareceu sumir tão rapidamente. 
Mas nós podemos visitá-la quando quisermos
nessa singular casa e em nós mesmos. 

Há uma fada em cada um de nós
nos encantando e nos ajudando
a cantar com uma doce e uníssona voz
a fazer surgir asas em que podemos sair voando...