Sangro, Mesmo que doa (pessoal)

Mulher é bicho tão ruim que sangra... - Curandeiras de Si | Facebook 

 

Meu útero revela o feminino em meu ventre 

Com indicativo forte de ser sentido 

Como nunca foi lhe dado chance.

Meu útero me revela mulher como nunca me foi permitido 

me deixar sentir sensações diversas,

me deixar sentir sensações inquietas 

para me silenciar em mim como um significante ser

ao ter uma chance de olharem de verdade pra mim

e eu mesma ao me acolher na minha dor que me deixa assustada e incomodada assim. 

Tão preocupada que me faz buscar me conhecer mais...

Preciso parar pra sentir o quanto estou machucada 

e preocupada comigo mesma. 

O que poderia ser que jamais fui convidada a pensar 

ou nunca me encorajei em mim diante da incerteza? 

Solidão ao ter como mulher me perdido 

E procuro compreender agora como é isso 

Com meu ser pedindo pra ser mulher 

Que nunca fui como gostaria de ter sido

Já que nunca encontrei em mim 

E em alguém que me conquistasse.

Nem digo isso num tom de dependência 

E sim, de completude com meu ser 

Porque não conhecia nem via meu ser 

Pra poder me encontrar com o do outro 

E por ventura o amor fluir entre nós. 

Quando acontecia, havia uma distância estranha

Que de certa forma meio insana não me inconformava,

Embora me incomodasse,

Porque estou acostumada 

E por mim condenada

A uma solidão de não haver homem 

Capaz de ultrapassar e realmente me tocar, se não quiser acompanhar todo meu ser. 

Estou tão difícil de deixar alguém se aproximar agora como se tivesse revestida de espinhos,

Depois de tanta violência no meu útero, meu íntimo,

Na minha mente, no meu coração, com triste sentido,

Que até poderia me satisfazer com muito prazer e sensibilidade,

Mas o que mais gostaria e espero um dia poder de fato viver 

É fazer o amor com confiança e respeito num nível vivenciado e não apenas idealizado ou imaginado. 

Quero viver o amor de todas as formas possíveis.

Conhecer as nuances minhas de um arco-íris 

Em que vivenciamos ao viver 

Um simples ser 

Que é movimento a todo o momento 

Que se preze a se mover. 

E é nessa busca e aventura, 

Que eu sangro, mesmo que doa,

Que eu me maqueio, ainda que eu me hidrate, 

Que eu ovolue, com a permissão de todo meu ser,

Que eu me percebo ser mulher 

Ao me cuidar de corpo, mente e alma 

Num equilíbrio de razão e emoção 

Em que possa me perceber ser digna de amor 

E, simplesmente, assim viver, não precisando esconder nenhum sentimento de ti  

Num profundo contato interior de pessoa, de criatura divina e de mulher 

que vibra amor em cada nuance possível que eu me perceba minha. 

Minha e sua porque diante de uma relação de confiança, respeito e cumplicidade,  

posso assumir que quero sentir e dar todo o nosso amor de verdade

e me vulnerabilizar ao dizer que preciso de você.

Não quero ser mais sozinha nesse mundo arrastada, 

embora prefira a solidão a ser novamente desrespeitada... 

Aí está a minha sina que faz com que tenha mais dificuldade de arriscar 

e de viver o momento seja lá onde for que eu possa me levar... 

No fundo, é minha abertura às novas experiências que estão em jogo

e como até meu útero pode estar querendo isso de mim para que energeticamente eu consiga ser 

e ele consiga ser em mim sangrando tudo aquilo que tiver direito uma mulher. 

Não apenas mulher, esposa ouso ser, mas também amiga, trabalhadora e etc

para que me amando eu consiga amar e ajudar o próximo

num cuidado mútuo de amor universal 

já que não há limites para o amor. 

Bom, eu não quero mais apenas pensar ou sentir ou escrever, eu quero muito viver...

embora quando eu pense ou sinta ou escreva eu já esteja sendo e vivendo...

Eu quero fazer, mas não depende só de mim. Logo, preciso do outro pra ser eu. 

E essa autonomia consciente é diferente de uma liberdade por si só desatenta às minhas necessidades.

Quando me recuso te ver, eu também me recuso me ver. 

Mas mesmo assim, eu penso: Será que o que preciso é realmente isso?

Será que a falta de confiança em mim gera tanta incerteza?

 Ou é porque realmente estando num processo eu preciso assumir que ainda não sei, e não sou obrigada a saber,

mas não quer dizer que não queira e comigo mesma e com as pessoas a minha volta, eu não possa descobrir. 

Te convido, então, a me ajudar nisso.

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Documento da poesia


Essa poesia não foi pensada para que os homens se identifiquem nem que todas as mulheres se identifiquem ou aré os gays. 

A motivação maior é eu sondar o que quer que possa pensar e sentir diante de um sintoma físico. O que sera que esconde? Onde me leva? Posso deixar a poesia me ajudar na minha melhora? Segundo a filosofia oriental, a doença é como um caminho do corpo pra nos mostrar alguma coisa que na nossa mente esta invisível. Além de aspectos e cuidados mais biológicos e sociais também, como procurar encontrar ainda mais o que me envolve e o que posso encontrar emocionalmente falando de revelante a minha doença? 

Eu sei que parece estranho, à primeira vista. 

Porém, estou começando a leitura do livro "A doença como caminho" que está me fazendo pensar ainda mais na integração mente, coração e corpo que possamos estar sendo acometidos. 

 Que a poesia me ajude no meu diálogo com meu corpo, mas sobretudo eu sou sujeito ativo nesse processo de autocuidado. 

Essa poesia foi feita pensando na minha irregularidade menstrual. Extremamente conectada com meu ser íntimo de mulher. E acredito que possa só ser a primeira de muitas em contato com isso. 


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