Voa a Toa
Enclausurada num movimento contido seu do outro,
Numa impressão de liberdade para seguir deliberadamente
Sem ouvir seu alarde nem estrondo
Por sequer respirar o ar pelos próprios pulmões
Que faz enfraquecer dilaceradamente
Tantas pulsações de corações.
Gritos mudos em intensidade
De dançarinos
Presos no ritmo e tempo pré-definidos
Despidos de espontaneidade.
Não que seja algo impossível
Esse cardume ser tão uniforme
Ou até considerar tempos e ritmos de outrem.
Acredito que há momento para isso.
Mas a ponto de se perder em possibilidade disso
Não é deixar-se poder se movimentar livremente
Como se render-se ao seu próprio querer, fazer e o pensar fosse algo contrário à sanidade
E que não se devesse assim se conceber
uma dançarina com tamanha liberdade (voz de desaprovação)
O que fará consigo em profunda liberdade?
Em momentos como essa dará conta de encontrar a mobilidade
Que lhe fizer sentido
Num âmago de possibilidades
Mas que a escolha de cada passo
Nasce de dentro numa sedenta vontade e num consciente ato
De poder se fazer ser guiado por si mesmo de fato.
Não apenas é um cardume em uniformidade.
É também uma unicidade e singularidade
Que transborda a vitalidade
Que há em sua verdade...
E é linda como uma borboleta livre em pouso
Que sai do casulo e lança voo
E ela realmente voa a toa
guiada pela sua própria vontade
Seja para seguir sua mãe
Seja para ser seu próprio guia
Ela se gerencia em suas decisões
Sendo a si seu real guia interno
Mais próprio de um silêncio terno
Que em sua naturalidade se faz vital
E em sua validade se é primordial.
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