18 dezembro, 2019

Mergulhando nas Letras

Pawel Kuczynski - Polônia

Mergulho
nos estudos
de cabeça
para tirar a venda
da pobreza.
A letra percorre meu mundo.
A letra é o meu porto seguro.

A mente reproduz ou recria...
A mente continua ou reformula...
A mente destranca por ser a chave
que com uma caneta a consciência abre.

Enquanto eu estudo, continua a vagarosa e necessária luta
da sociedade mais justa
para adotar medidas de inclusão
e excluir medidas de discriminação.

O tempo está passando.
A morte está chegando.
Eu enterro o medo que me aprisiona.
Eu enterro o bloqueio que me sonda.

O tempo passa
Diferente da força que se faça
presente nesse momento para persistir
nos projetos da minha vida que eu quero cumprir...

Não consigo decidir
Se os livros são amigos ou inimigos.
Pois ora eu os entendo
Ora eu não os compreendo.

Mas eu persisto, pois sei que eles vão me ajudar
o meu objetivo a alcançar...
Eu persisto até entender
Seja quantas vezes forem preciso para reler.

Se achar que o meu sonho é impossível,
preciso pensar no quanto sou falível
porque na primeira dificuldade que aparecer,
devo perseverar no que eu quero e me permitir aprender...

17 dezembro, 2019

Motel Nº 7800

By Brett Sayles From Pexels 
No quarto, chegamos
E logo nos beijamos
Ansiosos com esse momento
De nos aventurarmos corpo adentro.

As pétalas vermelhas espalhadas
Na cama, por nós, foram esmagadas
Por deitarmos e aproveitarmos o tempo
Para nos aventurarmos corpo adentro.

O amor foi condutor.
A paixão foi motor.
O carinho foi o amigo.
O respeito foi o sentido.

Gemidos, suspiros e beijos espontâneos
Deram vozes aos prazeres momentâneos.
As roupas foram inimigas
Sendo retiradas ofendidas.

A paixão ardente
Do corpo presente
Se fez verdade
Em pura sensualidade.

No motel número 7800,
Se fez expressão os desejos
Enquanto os carros e ônibus na rua passavam
E o mundo e a sociedade se debatendo continuavam.

Comentário: (O número do motel foi fictício) Como vocês leitores gostaram bastante da minha poesia sensual "Entre Lençóis" e minha quadra sensual "Tatuagem do Desejo" em que cada uma já atingiu mais ou menos mil visualizações, decidi fazer mais poesias sensuais por mais que seja o tipo mais difícil para mim porque gosto de deixar minhas poesias com identidade e falar de coisas diferentes. Por isso, vou me aventurar pelo desafio de fazer mais poesias sensuais tentando encontrar formas diferentes e emotivas que tanto contemplem as minhas quanto às suas necessidades, leitores, até mesmo porque comparando com o total de poesias, eu fiz poucas poesias sensuais, tem mais de amor... Como é um dos tipos mais lidos, vou fazer mais além de ser por vocês, eu faço por mim também porque gosto apesar de que estou descobrindo a forma como mais gosto dessas poesias de modo que fique um pouco mais pesado do que o habitual, mas que ainda tenha um equilíbrio entre as categorias de "sensual" e o "amor". 

Labirinto das suas Linhas


No labirinto das suas linhas, 
Caminho entre cores e cinzas.
Passeio pela sua pele ora macia ora seca 
Aceitando a realidade ao percebê-la. 

Tantos caminhos me levam a você. 
Outros caminhos me levam a te perder. 
No labirinto dessa noite, a dúvida é inerte
Pelo amor real que se doa e se recebe.

O labirinto é, por você, iniciado
Quando meu lábio é encontrado.
Entre suaves e intensos beijos, 
Perdidos no labirinto transcendemos. 

Ficamos mais ainda perdidos
Num labirinto de delírios envolvidos
Entre gritos e gemidos com o nosso amor
Que é desse momento o principal motor. 

A paixão move a sensação
Que reverbera no coração
Em cada toque que damos
Nos nossos corpos em que nos incendiamos.

Seus beijos me despertam 
Como faíscas que se libertam
Ao transitar em meus seios 
por desejos sedentos com anseios. 

Sua boca desce mais 
Por querer demais
Me conhecer de todo o sentido
Mergulhando em mim enlouquecido.

Sem ilusões, 
Nossas corporais imperfeições
Foram características naturais entendidas e não, razões
Capazes de impedirem a união de nossos corações. 

A realidade foi aceita
imperfeitamente perfeita.
O amor acolhe o que é singelo e belo
Quando há um respeito mútuo e sincero. 

Você transitou pelo labirinto 
Através do desejo que foi ouvido
Em cada parte do meu corpo 
Que desejou incansavelmente feito louco. 

Com respeito e amor, 
Nos amamos com louvor. 
Saímos do labirinto sem nenhum pudor
ouvindo o nosso profundo clamor!

Por fim, achamos um baú trancado que é o futuro desconhecido
Que nunca poderá ser destrancado sendo uma incógnita ao que se é prometido, 
Mas não é porque, às vezes, não é possível ser procedido
que o amor que foi vivido será menor por não ser revivido. 

O sentimento do amor é tão forte e límpido
Que é capaz de tornar o presente singular ao transitarmos de coração por um labirinto,
Caso realmente permitirmos o sentimento em cada segundo
Sem refreá-lo, embora a incerteza do que acontecerá no futuro. 

O Senhor do Monte

Pintura de Thomas Kinkade (Estados Unidos, Califórnia)

Pintura de Thomas Kinkade (Estados Unidos, California)
Pintura de Thomas Kinkade (Estados Unidos, Califórnia)
Pintura de Thomas Kinkade (Estados Unidos, Califórnia)

O senhor do monte
Olha para o horizonte
E contempla, na sua solidão,
A cidade com angústia no coração.

O senhor distante e isolado
Sem ninguém ao seu lado
Se sente imprestável por ser idoso
E com saudade de ser um jovem moço.

O senhor, perto da montanha,
Espera sua vida acabar longe da atmosfera urbana.
Ninguém vai o visitar
Nem, ao menos, telefonar...

A sua casa está na margem
Da floresta que está no período de estiagem.
Por tanto tempo, as terras se veem ignoradas
Das chuvas, tempestades e trovoadas.

A floresta na seca
Está como esse senhor com uma venda
Porque se cegou para a vitalidade
E para qualquer outra possibilidade.

O senhor mira o Sol no horizonte
se assemelhando ao monte.
O Sol aquece a água do lago que às nuvens sobe sob vapor d`água
e quando a temperatura cai, a chuva tudo encharca....

O sol ou o frio é o que faz secar. 
O sol e o frio é o que faz chuviscar.
Em meio ao meu devaneio, eu me pergunto: o que poderia 
ser o sol em mim que animaria e movimentaria o meu dia-a-dia?

O meu sol interno está querendo
Se libertar do meu preconceito
A mim mesmo
Condicionado pelo social tempo.

O idoso não é fadado
Ao descanso e isolamento.
O idoso não é castigado
A estar num período de sofrimento.

Por escolha, posso aqui morar
porque sempre foi meu sonhar...
Mas não preciso me prender
Naquilo que esperam de mim ver.

Sou livre. Meu limite
ninguém define.
Eu que preciso me conhecer
e ver até onde posso ir ou aprender.

O senhor do monte se despertou,
Não se isolou mais e à cidade, num fim de semana, ele viajou
Ao se libertar das crenças sem fundamento
Mesmo convivendo com aqueles cheios de preconceito.

Assim, o xingamento não chega a ser ofensa
Porque o senhor do tempo tirou a venda
Ao se conscientizar da sua real potencialidade
Negando as interferências tóxicas em sua verdade.

Comentário: Poesia inspirada numa rua que passei da capital de São Paulo chamada "O Senhor do Monte". Li o nome, ri, achei poético e resolvi fazer uma poesia sobre ela. Eu fiz pensando no idoso, a partir da visão socio-histórica da psicologia. Lembrei da pintura de uma casa do Thomas Kinkade que estava no meu computador. Continuei a poesia pensando nessa pintura. E aí, gostei de mais pinturas dele quando pesquisei no google. Não sei qual eu gostei mais. Por isso, coloquei as três. 
Link das pinturas: https://www.google.com/search?q=thomas+kinkade+glory+of+evening+blog&tbm=isch&ved=2ahUKEwiY0buIhb7mAhXxLLkGHS1ZBOsQ2-cCegQIABAA&oq=thomas+kinkade+glory+of+evening+blog&gs_l=img.3...50168.52145..52357...1.0..1.524.1122.2j1j0j1j0j1......0....1..gws-wiz-img.SHb1dDdX7yk&ei=-n_5XZjsKfHZ5OUPrbKR2A4&bih=561&biw=1278#imgrc=1Hl3NoKlw2vjgM

15 dezembro, 2019

Maratona de Poesias de Cunho Social

Olá, gente! 
Estou me despedindo de fazer poesias inspiradas em pinturas porque descobri que tem um grande risco de responder por processos judiciais de direitos autorais. Eu não pedi autorização aos pintores ou pintoras nem os paguei. Por isso, realmente, vou mudar e me adaptar a isso. 
Para essa despedida, decidi fazer vários poemas de uma vez. Estas pinturas foram as últimas porque estavam salvas no meu computador e queria escrever com base nelas. Talvez nas próximas postagens possa ter alguma pintura porque estou limpando meu computador de pinturas para que eu possa realmente mudar esse jeito de escrever já que, futuramente, pode me prejudicar, mesmo que eu coloque os nomes dos artistas.
Pode ser que tenha alguma pintura no futuro porque adoro pinturas ou fotografias do pinterest, mas vou tentar evitar definitivamente e fazer mais poesias inspiradas em imagens de sites gratuitos ou inspirados em músicas ou filmes ou, principalmente, em mim mesma. 
A única coisa que vou continuar fazendo é escrever inspirada nas pinturas do chileno Andres Orpinas que rendem as histórias de personagens que eu coloco como menino/menina, por exemplo, "A Menina de Maria-Chiquinha", que se tornou um tipo de quadro no canal.  Mas só isso. 
Sites Gratuitos: freeimagens.com  /  Unsplash  /  Pexels 

1. Compra e Venda na 25

*


A avenida 25 de março
está em pleno mormaço
derretendo no Sol escaldante
movidos pelo dinheiro importante. 

A avenida se prepara para janeiro
estando num enorme formigueiro
para compra e venda, pois o dia
do natal cada vez mais se aproxima.

A correria 
da vida arrepia
na contemporaneidade
sendo uma realidade. 

Compra e Venda.
Cada um faz sua encomenda.
Crédito ou Débito. 
Privilégio e/ou Mérito. 

Por trás do comportamento,
o que o move é um sentimento 
de medo de do trabalho ser despedido
e do lar ter que ser repelido. 

Graças a tanta correria,
a ansiedade asfixia
o ser nesse tempo áspero
que se vê preso em seu desespero. 

Estou na rua, 
parecendo parada como uma lua, 
mas estou em movimento 
ao refletir sobre esse momento. 

Pessoas indo de lá para cá. 
Pessoas indo de cá para lá
movidas pelo amor e lucro
para sobreviverem e criarem seu futuro. 

Observo as pessoas em silêncio e penso
de que o que vejo é reflexo não apenas do dinheiro,
mas do senso de comunidade e amor à família
para estarem sustentando juntas a mobília. 

Você vai dizer que as pessoas se tornaram máquinas?
Mas o que significa essa busca desenfreada 
de sobrevivência e de sustento de si e dos filhos 
se não algum tipo de cuidado dos vínculos?

2. Ei, pare! Não quero...

Pawel Kuczynski - Polônia

Ei, pare! Não quero que sujem meu brinquedo. 
Não é por preconceito. 
´E meu esse brinquedo por meu pai ter trabalhado 
e vão acabar sujando o que acabou de ser comprado.

Ei, pare! Não vamos sujar porque não estamos, pela nossa cor, sujos.
Não vamos brigar porque resistimos ao propósito desses luxos
que é mostrar a nós e a você qual é o lugar de cada um na sociedade,
mas não vamos cair nessa bobagem não insistindo mais nessa desigualdade.

O estudo é a minha saída. 
Não acreditarei nessa mentira. 
Hoje não vai ter uma briga. 
Pense na sujeira dita. 

Essa sujeira é que precisa ser limpada. 
Ei, pare! Não quero começar uma batalha. 
O diálogo eficiente promove respeito
quando bem feito, pois remove o preconceito.

3. Judeus Dinamites

Pawel Kuczynski - Polônia

Judeus 
A Deus
são levados
e tratados
como dinamites
sem limites.
Tantos explosivos
foram ascendidos
Dando adeus à esperança de união
do mundo imaturo e inconsciente de sua posição. 
Se acha ser superior, 
não entende quem é se achando opressor. 
Se acha o outro inferior,
não entende o que é o tal do amor. 
Para o fim da ignorância,
a mente deve estar pronta para a mudança.
Para o fim da matança,
A mente deve estar pronta para a tolerância. 

4. Mergulhando nas Letras

Pawel Kuczynski - Polônia
Mergulho 
nos estudos
de cabeça 
para tirar a venda
da pobreza.
A letra percorre meu mundo. 
A letra é o meu porto seguro. 

5. O Arroz é o Mesmo...

Pawel Kuczynski - Polônia

O arroz que com tanto sacrifício foi cultivado
é o mesmo que o arroz jogado
pelos alegres convidados 
nos sorridentes recém-casados.
  
6. Chave Mental e Social

Pawel Kuczynski - Polônia

A mente reproduz ou recria...
A mente continua ou reformula...
A mente destranca por ser a chave
que com uma caneta a consciência abre. 

Enquanto eu estudo, continua a vagarosa e necessária luta
da sociedade mais justa
para adotar medidas de inclusão
e excluir medidas de discriminação.


7. Tempo passa

Pawel Kuczynski - Polônia
O tempo está passando. 
A morte está chegando. 
Eu enterro o medo que me aprisiona. 
Eu enterro o bloqueio que me sonda. 

O tempo passa
Diferente da força que se faça
presente nesse momento para persistir
nos projetos da minha vida que eu quero cumprir...

8. Preso por Cabos

Ashley Mackenzie (Canadá)
O menino é preso pela individualidade a se romper
pelo pai que sem nem ao menos perceber
Anula o espaço do filho atordoado
Que não consegue dar um passo por ele mesmo pensado. 

9. Incondicional Amor

Por John Holcroft

Filho, 
redimensione o seu problema
para se ver como grande o suficiente 
para solucionar esse dilema. 
Pais, 
redimensionem o problema
para se verem como grandes o suficiente
para me ajudarem a solucionar esse dilema.

Filho, 
o problema é seu 
e é você que deve resolver.
Pais, 
o problema é meu,
mas não sei como resolver. 

Filho, 
nós podemos te dar palpites, 
mas há limites
porque a vida é sua
para que a autonomia sustente a SUA luta.
Filho, 
Nós amamos e agradecemos
a sua existência
independente do desempenho que tenha.

Pais, 
Obrigado pela compreensão
e estão no meu coração 
independente dos acertos e enganos de vocês.

10. Sol Pintado

Pawel Kuczynski - Polônia

A fumaça 
da fábrica
tampou o sol,
Mas já estou o pintando 
e daqui a pouco, estará pronto.
Pintarei o sol da esperança porque sempre pode ser renovada
pela mente que sempre pode ser revigorada.

outra versão 

Visceral Fumaça

A fumaça
da fábrica
tampou o sol,
Mas já estou o pintando
e, no futuro, a pintura estará pronta.
Pintarei o sol da esperança
na mente enfumaçada que se rotula e é rotulada,
e depois, desconectada do que sinto e necessito,
disfarçarei dizendo que está tudo bem...
11. Sujeiras 

Pintura de Salvador Dalí (Europa, Espanha)

Pela conscientização, 
a interna e externa poluição
será repensada
quando a mente for transformada.

Tanto a sujeira que a gente deixa no ambiente
quanto a sujeira que a gente deixa internamente 
devem ser limpadas
com a ação individual para melhorar socialmente
Àquilo que se faz de errado insistentemente.

Perseverar 
é pensar
em diferentes formas de agir
a partir de um intenso processo de refletir.

Refletir 
É sentir
Que as sujeiras são limpadas
Quando por nós não são ignoradas.

12. Livros Amigos ou Inimigos

Pawel Kuczynski - Polônia

Não consigo decidir
Se os livros são amigos ou inimigos. 
Pois ora eu os entendo 
Ora eu não os compreendo.

Mas eu persisto, pois sei que eles vão me ajudar
o meu objetivo a alcançar...
Eu persisto até entender
Seja quantas vezes forem preciso para reler. 

Se achar que o meu sonho é impossível, 
preciso pensar no quanto sou falível
porque na primeira dificuldade que aparecer, 
devo perseverar no que eu quero e me permitir aprender...

* Referência da Primeira Pintura:
Não achei o nome do pintor. Somente que é chinês.
Link de onde eu tirei: https://fr.aliexpress.com/item/32795359539.html
Pintados à mão Pintura a óleo sobre tela Cityscape Bondes de Hong Kong Rua Faca Pintura Em Canvas Wall Art Imagem para Sala de estar
Homenagem ao dia da consciência negra, da abolição da escravatura, da família, da alfabetização mundial, finados, da solidariedade humana e da criatividade.

13 dezembro, 2019

Jogo por Amor por David Stewart - Episódio 5 da Série em Poesia "Amélie Klein"


kesinee Não achei o desenhista nem nada sobre esse desenho. Então, simplesmente não fui eu que desenhei...
      

Parte 1

Em 1997, eu estava jogando bola
Como costume depois da escola
Quando jovens do condomínio
Desciam à quadra para não ficarem sozinhos.

Conheci Charlie no dia que ele se mudou ao meu condomínio 
E desceu para jogar e conhecer os meninos. 
Foi a primeira vez que jogamos juntos.
Fizemos vários gols nos seguintes minutos.

No dia seguinte, no meio do jogo, vi uma nova menina
Chegando linda e um pouco tímida.
Passei a jogar como nunca para ela me notar,
Mas diferente das outras meninas, ela mal chegou a me olhar.

Ela começou a animadamente conversar
Com a Jane Evelyn do segundo andar.
Perguntei para Marc se ele sabia quem era aquela linda menina
Porque nunca tinha visto antes desse dia.

Charlie, que estava perto de nós, perguntou desconfortável e meio bravo
Se era na irmã dele que eu estava interessado.
Tentei disfarçar dizendo que era em outra garota.
E aí ele relaxou, se desculpou e voltou a jogar de boa.

Eu, Charlie e Marc nos tornamos melhores amigos.
O verão inteiro das férias ficamos jogando com os outros meninos.
`As vezes, com as meninas, jogávamos “polícia e ladrão”.
E em dias chuvosos, era só video-game e filme de ação.

Luke também é um novo, meio fechado e esquentado morador
Já que, no anterior primeiro jogo, vestiu a armadura depois de ter brigado com outro jogador.
Richard, Jack e Luke lutam de um lado da quadra.
Eu, Charlie e Marc batalhamos do outro time com garra.

Ninguém pode dizer o que é e o que vai ser.
Meu pai é o primeiro a afirmar não poder
Eu ser quem eu queira no mundo
Pelo tanto que falta pelo rótulo em cada segundo.

Para ele, ser homem não é ser sensível; é ser agressivo
E, num jogo de futebol, deve ser o mais competitivo
Para que domine pensando que é melhor do que os demais
E que é extremamente mais capaz.

Para ele, ser homem no jogo da vida
É ser ganancioso para alcançar a diplomacia
derrubando com carrinhos e faltas qualquer jogador
para mostrar quem é o verdadeiro dominador.

Dominador é cuidar do que é “meu”
Mesmo que não seja realmente “meu"
Já que a posse é uma ilusão, um conceito cultural,
De que tudo deve ser controlado para ser o maioral…

Se Amélie é irmã do meu melhor amigo,
dar em cima dela seria impossível.
Eu prestava atenção no jogo, mas não deixava de observar
Como se empolgava com as suas amigas ao conversar.

Na direção do banco que estavam sentadas, com brutal força, a bola foi jogada.
Eu corri, peguei a bola e fiz um gol de cabeçada.
Depois do susto e de me agradecerem, Amélie e as amigas passaram a assistir o jogo
E eu, para ganhar a partida, estava totalmente louco.

Em vários momentos rápidos, eu e Amélie cruzamos o olhar.
Sempre que isso acontecia, sentia frio na barriga e vontade de me aproximar.
Mas eu queria muito a impressionar porque assistia atenciosa ao jogo.
Então, precisava me concentrar e não encará-la como um tremendo bobo.

O Luke do outro time parecia nela também interessado
E provocando a mim, tornou o jogo um campo minado.
Mais ágeis e competitivos do que o jogo anterior ambos estávamos
E mais compenetrados que acabamos deixando o jogo acirrado.

Quem ia perder? Quem ia ganhar?
Um time fazia gol e aí, voltava a empatar.
Até que furioso por dominarmos a bola,
Luke deu um carrinho em Charlie numa errada hora.

Luke acertou Charlie gritando ao cair no chão,
E ao invés de pedir desculpas, Luke então,
Pediu para Charlie parar de frescura
E eu falei: Por quê não reconhece sua parcela de culpa?

Luke continuou zoando Charlie de “boiola”
porque jura esnobando que bateu na bola.
Eu não aguentei a raiva e parti para a agressão
Para ele aprender que com meu amigo ninguém esnoba assim não.

Eu dei uma porrada na barriga.
Já ele queria quebrar a minha narina.
Eu o xinguei de vagabundo.
E ele de estúpido.

Marc, Richard e Jack nos afastaram.
Jane e Amélie assustadas se aproximaram.
Jane falou, para mim, que dessa forma violenta, nada se resolve;
Apenas continua a ilusão de que são mais homens.

Jane disse, para Luke, que mandar na dor alheia é inconveniente
E também insinuar que Charlie é inferior por um acidente.
Aliás, ela estranhou dizendo a Luke que é preconceito
ele insistir a insinuar que “boiola” é um xingamento.

No seu segundo jogo com os meninos, Luke não a conhecia,
Mas não gostou nada de receber de uma mulher uma crítica.
Por isso, odiou Jane Evelyn dizendo que só foi uma zoeira.
Mas Jane disse que achava estranho ele “diminuir” Charlie por uma brincadeira.

Amélie concordou com o que Jane disse com a cabeça,
Mas continuou calada com uma vontade à beça
De falar alguma coisa que tenha a incomodado,
Mas como estava envergonhada, ela deixou de lado.

Luke estava totalmente emburrado e irritado.
Charlie foi ao hospital para ser engessado.
No dia seguinte, fui à casa de Charlie visitá-lo
E encontrei Amélie o ajudando em seu quarto.

Eu disse: Oi. Tudo bem?
Ela disse: Oi. Sim. Você pode ajudar? Vem.
Meu irmão precisa ficar de repouso.
Mas ele não aguenta ficar quieto nenhum pouco.

Eu ri e disse que vou fazer companhia.
Ela sorriu saindo e disse ao irmão com alegria
Que podemos chamar o pessoal e assistirmos um filme
Com pipoca porque eu e Charlie não conseguiremos jogar hoje no time.

Eu e Charlie gostamos da ideia.
Eu realmente gostei e admirei esse jeito dela
De se preocupar gentilmente com o irmão,
E sofri por não poder ter nada com ela não...

Como sou bem popular, poderia pegar
Várias meninas que gostariam até de me namorar,
Mas me tira do sério essa menina
tão linda que me fascina.

Difícil não pensar em nada com ela
Porque ela estava muito gata com uma blusa amarela
Cheia de boa intenção, tão alegre e fofa, sorrindo
Sem perceber o que eu estava sentindo.

Lisa, Jane, Marc, Richard, Luke e Jack chegaram.
Na sala, assistimos um filme de terror em que todos gritaram.
Minha mãe assistiu conosco,
Como era de terror, à contragosto.

Amélie cobria o rosto ou abraçava com medo Jane do seu lado.
Eu morria de vontade de estar com ela e de abracá-la de modo delicado.
Eu aguentei e fiz força para que o meu sentimento desaparecesse
Já que aparentemente ela não demonstrava interesse por mim - não que parecesse.

Sou apenas o amigo e vizinho de condomínio do seu irmão.
Ela com 16 e eu 18 como Charlie, daria não.
Como acabamos de nos conhecer, não quero me apressar
Porque ela não é como qualquer uma que eu poderia ficar.

Ela começou a estudar na mesma escola,
E é uma das únicas meninas que não me dá bola.
Ela conversa comigo como amigo mesmo
Sem aquela pretensão de um beijo.

Vou manter tudo em segredo
E abafar esse sentimento.
Vou continuar tentando esquecê-la pegando outras meninas
Enquanto de canto de olho a vejo na quadra toda animada com suas amigas.

        Parte 2

Em 2000, procurei me certificar
De que o que sinto por Amélie é um amar
Capaz de Charlie enfrentar
E nossa amizade ameaçar.

Procurei respeitar
O tempo de nos conhecermos
Para que fortalecesse nossos sentimentos
Capazes de nos movimentar.

Amélie convidou nosso grupo de amigos
Para conhecer, em sua casa, um esconderijo
Que carrega uma história de muita dor
Daquela que enfrentou as violências do seu marido opressor.

Quando Amélie descobriu a secreta passagem,
para conhecer a ex-moradora, decidiu fazer uma viagem.
Conheceu a ONG em defesa das mulheres, nessa viagem transformadora,
Por observar como Louise ressignificou a sua dor esmagadora.

Louise rompeu com os rótulos
Transformando sua dor em modos
De ajudar a amenizar essa realidade
Conscientizando a mulher da sua potencialidade.

Nós rearrumamos o esconderijo
Que nomeamos por “Sala do Sumiço”
para conversarmos, cantarmos,
desafabarmos e filosofarmos…

´E um lugar nosso de refúgio
em que pintamos e decoramos
e qualquer coisa falamos
para que seja o nosso mundo.

Quando eu cheguei na casa número oito,  
Eles já estavam falando enérgicos sobre o aborto.
Os pufes, cadeiras e sofá estavam todos ocupados.
Acabei sentando no braço do sofá com a Amélie do meu lado.

Luke disse que é contra totalmente
Porque a responsabilidade é da mulher completamente.
Richard disse que se tem filho, cuida.
Tem que responder as consequências dos seus atos como adulta.

Jane disse que do aborto é a favor
Porque é liberdade da mulher fazer o que for
E a responsabilidade deve ser do casal
Porque fazer o filho sozinha não é natural.

Amélie disse com tanta segurança
Diferentemente do ano passado que não tinha muita confiança:
Se tal mulher quiser ou não abortar,
Ela que decide sem que ninguém tenha que julgar.

Amélie continua: Igualmente são importantes
A liberdade e a reprodução em todos os instantes.
Então, para que ditar o que o outro deva fazer?
Lidando com as consequências, cabe a cada casal escolher.  

Lisa pensativa a Luke diz
Que não é culpa apenas da mulher que isso quis.
Luke diz que tem muita mulher que faz golpe.
Já Lisa diz que tem muita que abuso sofre.

Luke e Richard não concordam falando
que são mulheres que acabam ignorando
Como precisam se cuidar com camisinha
Para que não recebam da cegonha uma visitinha.

Eu disse que há diferentes situações
Que não devem ser resumidas em generalizações
Para que todos sejam ouvidos
E não, julgados nem tão pouco excluídos.

Eu continuo seriamente dizendo
que agir para a alheia necessidade
É diferente de agir para a culpabilização sem racionalidade
Que muitas pessoas acabam fazendo.

Amélie fica impressionada
Concordando muito com a minha fala
Até mesmo porque tem tanto cara
Que decide abortar sem ver a necessidade da namorada.

Jane também fala de tantos familiares
Que se culpam ou culpam os outros como irresponsáveis
Sem perceber os sentimentos e necessidades envolvidas
e como não há para todos um script social de vidas.

Jack entediado pergunta se o pessoal não quer
Jogar verdade ou desafio com o que der e vier.
Lisa coloca no seu celular baixinho uma canção linda.
Eu falei que rodar a garrafa para facilitar eu poderia.

Gabriely cumpre o desafio de imitar
O Michael Jackson desde cantar a dançar.
Charlie disse que bêbado já rolou na rua deitado
E aí acabou dormindo até acordar desorientado.

Richard à pedido de seu primo Luke pergunta a Amélie que quer verdade:
Tem algum garoto que ela gosta sem falsidade.
Amélie diz que sim ficando vermelha e sem graça.
Ele perguntou quem, mas ela disse que, como é só uma pergunta, essa ela passa.

Jane teve que tirar a calcinha no banheiro
E ficar com ela amarrada na cabeça pelo jogo inteiro.
Jack teve que ligar para a pizzaria
E desabafar chorando com a atendente sobre a sua família.

Jane me pediu para eu fazer um dueto com alguém.
Todos falaram para Amélie fazer porque canta também.
Nós cantamos sem tirar o olho,
Atentos e entregues um ao outro.

As nossas vozes estavam em sincronia.
Até mesmo porque nós dois gostamos da melodia.
Ela estava cantando tão perto de mim que quase não aguentei
Para não arrancar um beijo apenas por Charlie que segurei.

Tantas lembranças vinham com tudo...
Histórias, Mágoas, Conquistas, Sonhos,… E um desejo profundo
Que sempre se manteve quieto até aquele momento,
Quando sem pensar em nada nem ninguém eu lhe dei um beijo.

Quando terminou a música, eu a beijei
E ela correspondeu com doçura como imaginei.
Foi um beijo profundo, carinhoso e tão desejado
Que eu esqueci de todos que estavam ao nosso lado.

Quando terminamos de nos beijar,
Eu fiquei pálido, quando olhei a cara de Charlie a trovejar.
Morri de medo observando a cara que mais me importa:
Amélie estava surpresa e chocada, mas não estava brava
como a de Charlie e a de Luke como se notava.

Todos os outros aplaudiram
E, por finalmente a gente se expressar, todos vibraram…
Sem palavras, eu não sabia onde a cabeça enfiar
E disse nervoso à Amélie que pedia desculpas, mas não pude aguentar...

Amélie perguntou o que eu não aguentava mais e eu me senti tão constrangido,
Mas não ia embora até colocar para fora o que estava engolindo
Repleto de coragem pelo meu amor estar explodindo
Por ter cantado com ela e tão perto seu calor ter sentido.

Meu corpo e espírito
Reclamavam que queriam fazer um certo pedido
De ser verdadeiro mesmo com todas as dificuldades
Encarando todas as consequências e possibilidades.

Então, eu disse: Eu não aguento mais
Disfarçar o que sinto por Amélie, há tanto tempo, não tenho paz.
Eu não me permiti por medo de perder
Minha amizade com ela e com Charlie que poderia não querer.

Charlie pergunta furioso: O que você não aguenta?
Não diga que está a amando. Por favor, não inventa!
Você é mulherengo! E não vou deixar você a machucar.
Não quero que você dela volte a se aproximar…

Charlie parecia outra pessoa.
Não esperava uma reação boa.
Mas ele nem parecia meu amigo.
Agora me rotulava ditando meu destino.

Amélie que estava chocada
Disse a Charlie muito revoltada:
que ela é quem decide quem ela quer ficar
E que ela consegue se defender sozinha, se precisar.

As mulheres não são frágeis, naturalmente,
Não precisando de homens para seguirem em frente
e tomarem decisões importantes da sua vida
já que podem e devem exercer a sua autonomia.

Todos aprovaram com palmas.
Mas ela pediu silêncio e calma.
Ela disse que também me ama
E com o tempo, sentiu crescer uma chama.

Ela disse que em todos os momentos,
Ela também tinha os mesmos desejos
Mas tinha medo de eu o mesmo não sentir
E acabarmos com a amizade que em tantos anos nos empenhamos em construir.

Eu disse que caso não desse certo futuramente, 
mesmo convivendo menos e a amizade sendo diferente,
Que somos livres para amar ou recuar
Porque o seu não querer eu nunca chegaria a desrespeitar.

Todos aplaudiram enquanto a gente se beijava.
Eu olhei para Charlie enojado com o que observava.
Ele me disse que precisava daquela sala abafada sair
E pedia respeito para ninguém o seguir nem nada exigir…

Eu olhei para Amélie preocupado,
Mas a beijei novamente aliviado
Por poder tê-la em meus braços
Sem negar o que sinto desde o ano passado.

Todos foram embora para seus compartimentos.
Alguns trabalhavam e precisavam levantar cedo.
No meu quarto, deitado na cama fiquei pensando
Nesse dia tão incrível que estava terminando.

Vou pedir a ela para namorar
porque não posso mais esperar.
Renunciar nosso amor
Está nos causando muita dor.

Não quero mais renunciar tantos beijos
Nem deixar de compartilhar momentos...
Mesmo que isso signifique
Que Charlie afastado de mim temporariamente fique.

Depois de uma semana de namoro, de manhã Amélie eu fui visitar
E o café da manhã deles ajudei a preparar
Porque queria Amélie esperar
Para ao colégio a acompanhar.

Eu peguei o cereal no armário bem em cima dela.
Ficamos tão perto que não aguentei e dei um beijo nela.
Charlie chegou revirando os olhos
E dizendo que nem de manhã o casal desgruda um pouco.

Foi aí que ao invés de ficar magoado,
Eu entendi o recado:
Ele pode estar meio enciumado
Achando que ficará de lado.

Eu o cumprimentei
E, como estava com saudades, eu o convidei
A jogar bola,
Depois da escola.

Ele disse que ia ver.
Eu disse ainda para ele saber
que vai ter uma competição
no próximo ano em nome da nossa escola no Maranhão.

Ele disse que vai pensar.
Amélie foi terminar de se arrumar.
E Charlie acrescentou: Agora que passou o baque,
Acho que vocês até combinam, sabe?

E continuou: Peço que não fale jamais
Minhas coisas para ela, se não para mim, vai ser demais…
E caso terminarem ou brigarem – calma, só uma possibilidade,
- espero que não afete a nossa amizade.

Eu aceitei, sorri
e um alívio imenso senti.
E ainda me disse: se gostava dela há tanto tempo,
cara, não precisava guardar esse segredo.

Eu respondi sabendo que ele tinha razão, mas eu tinha medo
De perder nossa amizade e queria ter certeza do meu sentimento
Para não correr o risco e não ser nada daquilo
E aí, ficaria chato para a gente ou algo do tipo.  

Além disso, no fundo, também tinha medo de começar 
um compromisso porque seria a primeira vez a namorar. 
Seria tudo muito novo e não me sentia pronto. 
Queria conhecê-la melhor para saber quando e como.

Ele disse: Nunca vi você ninguém amando!
Só te vi brincar com tantas que, quando eu vi, não tava nem acreditando!
Desculpe por ter te rotulado, mas nunca pensei que você fosse cara desse tipo.
Mas, pensando bem, eu acho que isso de “tipo” não tem o menor sentido…

Nós rimos,
E juntos para o colégio seguimos….
Esse inferno passou…
Um tempo novo o meu coração chamou…


Parte 3 (capítulo novo)

Devo ter excluído sem querer a parte anterior. vou continuar procurando.

Estavam jogando ping-pong


A última partida que decidiria a competição
seria eu e Charlie contra Amélie e Jane.
Todos estavam compenetrados
no jogo mas, quando deu 11h, acabamos terminando empatados.


Todos falaram para jogarem a última partida
que desempataria essa acirrada briga.
Bem nesse momento crucial eu dei a besta
e joguei a bola com muita força que a lançou longe da mesa.


Mas pelo menos, fez todo mundo dar risada
e já marcamos nossa próxima jogada
que poderíamos fazer num dia
de vários jogos e as pessoas se animaram com alegria.


Por fim, as pessoas foram subindo
aos poucos aos seus alojamentos se despedindo.
Eu olhei para a Amélie discretamente,
como quem diz, vamos ter um momentinho para gente...

Restaram nós nessa noite enluarada
para podermos nos acompanhar pela madrugada
e aproveitar o momento precioso
e curtir o amor revigoroso.


Nos demos um beijo em que a sensibilidadeSe fez presente
E em que o amor de verdade
Foi evidente.

Nos demos um beijo delicado, sensível e lindo,
Enquanto parava vagarosamente de chover no nosso condomínio
Mas estávamos protegidos
Pelo guarda-chuva em que estávamos juntinhos.

Um beijo que concretiza o amor
Depois de tantas conversas a todo o vapor
Que tivemos para nos conhecer
E ver o amor aos poucos florescer.

As gotas de chuva se intensificaram
E pelo som uníssono nos tranquilizaram.
Não subimos para nossos apartamentos por um tempinho
Porque a chuva não foi empecilho para continuarmos nos curtindo...


Eu quero tanto fazer
um pedido para poder
tornar meu sonho de namorar
uma possibilidade a se esperar.


Então, no dia seguinte, pedi para nos encontrarmos na sala do sumiço,
a arrumei com velas, incensos e vinhos
e com caminho de flores ela chegou até mim
e de repente eu cheguei por trás e perguntei o que ela sente quando a abraço assim.

Ela diz que muito amor
e considerando a história dessa casa dor
porque Louise sofreu por falta do que sentimos
que é muito fortalecedor para que seguimos.


Eu concordei e comecei a agradecer
todos os momentos que passamos a conviver
nessas quatro semanas que estamos ficando,
deixando fluir e percebendo se realmente combinamos.


Eu sempre quis abraçar Amélie assim desde que a vi
e agora eu podia a sentir
e espero que tenha chegado a hora 
de oficialmente sermos namorados agora.


Amélie assentiu sorrindo e então, eu cantei
uma música para ela acapella que ensaiei
e no final ela cantou comigo sorrindo de olheira a olheira
e eu mal acreditei que é minha companheira.


Esse momento é nosso!!
Agora a beijar eu posso!
Eu quero poder meu amor mostrar...
E mais perto dela, pergunto: Quer namorar?


E ela sorri, diz que sim e o meu mundo ilumina
e aí, apago as velas para no escuro dormir abraçado com essa menina
sentindo carinho e amor com todo o meu respeito
para que ela se sinta aquecida depois de uma noite chuvosa e que não apressarei o seu tempo...

Parte 3 
Eu queria tanto fazer 
um pedido para poder
tornar meu sonho de namorar
uma possibilidade a se esperar. 

Me encontro com ela na sala do sumiço, 
a arrumo com velas, incensos e vinhos 
e com caminho de flores ela chega até mim
e de repente eu chego por trás e pergunto o que ela sente quando a abraço assim. 

Ela diz que muito amor 
e considerando a história dessa casa dor 
porque Louise sofreu por falto do que sentimentos
que é muito fortalecedor para que seguimos. 

Eu concordo e começo a agradecer 
todos os momentos que passamos a conviver 
nessas suas semanas que estamos ficando 
e percebendo que realmente combinamos. 

Eu sempre soube que desde que te vi 
mas comprovei quando vivi
e espero que tenha chegado a hora 
de oficialmente sermos namorados agora.

Amélie assentiu sorrindo e então, eu cantei 
uma música para ela acapela que ensaiei
e no final ela cantou comigo sorrindo de olheira a olheira 
e eu mal acreditei que é minha companheira. 

Esse momento é nosso!!
Agora a beijar eu posso!
Eu quero poder meu amor mostrar... 
E mais perto da vela, pergunto: Quer namorar?

E ela sorri, diz que sim e o meu mundo ilumina
e aí, apago as velas para no escuro namorar esse menina 
sentindo e dando carinho e amor em todo o meu toque 
para que ela se senta acolhida e o quanto, como eu, tem sorte...

       Parte 4 (continuação duas semanas seguintes à parte 2)

No posterior final de semana, eu convidei Amélie para vir na minha casa.
Vamos cantar, jogar e conversar até a madrugada.
Depois de uma semana de estudo e trabalho, merecemos descansar
E nos curtir bastante já que começamos a namorar.

Tão linda com um vestido vermelho, ela entrou no meu quarto
Para assistirmos um filme juntinhos abraçados.
No meio do filme, nos envolvemos entre beijos e amassos
E, espontaneamente, foi nossa primeira vez ao som do filme totalmente ignorado.

Foi um momento lindo e inesquecível!
Valeu a pena esperar tanto porque foi tão incrível…
Eu tirei a roupa dela depois de tanto ter desejado.
Eu amei cada centímetro dela por mim tão tocado.

Depois de uma vez ter me machucado
Ao ter ficado apaixonado,
Comecei a pegar várias sem compromisso
Porque não queria mais sentir o doloroso martírio.

Quando conheci Amélie, tudo mudou
E minha esperança possibilitou
Que eu voltasse a acreditar no amor
Como existiu naquele minuto em louvor.

Mesmo que acontecesse qualquer coisa conosco,
Sei que nos amamos naquele minuto um pouco.
Eu toquei, pela primeira vez, o corpo dela como louco
Que acariciava e arrepiava o meu corpo todo.

Ironicamente, terminou o filme quando começamos a assistir
E resolvemos descansar depois de tanto aproveitar cada sentir…
Começamos a rir do filme que terminou logo que começou…
E quando bateu fome, eu fui para cozinha fazer a pipoca que Amélie comprou.

Quando a pipoca estava estourando,
Eu ouvi um grito de Amélie no quarto onde ficou esperando.
Eu corri para ver o que tinha acontecido preocupado,
E ela tinha batido, na quina da cama, com o pé descalço.

Eu me distraí tentando ajudá-la.
Meu pai tinha chegado em casa e foi ao meu quarto com a cara emburrada
e disse: "Estou sentindo cheiro de queimado.
Será que você faz realmente tudo errado?"

Eu lembrei da pipoca no fogão
Que estava toda queimada sem poder comer mais não…
Fiquei zangado pelo que meu pai disse
Porque esqueci da pipoca preocupado se Amélie se ferisse.

Ele nem pensou em ter me perguntado
O que aconteceu para que a pipoca tivesse queimado.
Já vem me rotulando, como sempre, ele e minha mãe me tratam assim,
Mas eu sei o motivo real mesmo que eles não digam para mim.

Eu e Amélie fomos a escola
E ela percebeu minha cara de derrota.
Sentados num banco do pátio, eu contei
Como num assassino eu me transformei…

Sinto uma enorme e terrível culpa
Que é como uma diária surra
Porque com nove anos, estava distraído brincando, quando minha irmã pequena
caiu da janela do décimo nono andar lá ficando até que minha mãe a perceba.

A minha irmã foi para o céu
Como a minha esperança no véu.
Essa irmã era três anos mais nova do que a Amélie.
Ela partiu tão cedo no mundo e nem ele nem sua família a esquece.

O quarto todo rosa dela ainda está intacto
Com sua caminha e roupas no armário.
Todo o dia, eu me lembro do que eu fiz.
E do quanto ela merece mais do que eu estar aqui.

Meus pais me culparam.
Tanto me condenaram.
Me lembro da revolta naquela época
Quando eles me chamavam de “idiota”.

Eu sou um detestável homem
Por não ter honrado meu nome
E não ter salvado a minha irmã Sara querida
Da janela em que tiraria a sua vida.

Por isso, sinto que deveria ser protetor
À minha irmã porque a dor
Vem dessa culpa que carrego em meu peito
E que me condena pelo remorso aqui dentro.

Amélie me ouvindo comovida de coração
Diz: “Olha, David, para mim, a culpa envolve intenção e ação.
Você era criança e seus pais não deveriam ter te tratado
Dessa forma como se fosse sua culpa que sua irmã tivesse se acidentado.

Talvez eles devessem estar sensibilizados
E ainda não terem direito racionalizado.
Mas talvez uma parte da culpa que você vê acusada por eles
Pode estar impregnada pela culpa que você sente em si desde sempre…"

Eu disse para Amélie como eu gostaria de voltar no tempo
Correndo na velocidade da luz sem medo!
Gostaria de ser o The Flash para que seja possível
Salvar minha irmã desse cruel destino.

Eu e Amélie pedimos à bruxa Morgan essa proeza.
Nós voltamos no tempo e percebemos a redondeza.
Por um momento, eu vejo minha irmã e mesmo que não consiga salvá-la
Por ser tarde demais, pude dizer a ela, entre lágrimas,
que é por todos muito amada.

Pedi desculpas por não ter a minha irmã ajudado.
Meus pais tinham ido rapidamente para o vizinho ao lado.
Contavam comigo para que de minha irmã Sara estivesse a salvo do nosso lado,
Mas continuei brincando porque de ficar cuidando dela não estava muito concentrado.

Sara me disse que simplesmente foi um acidente
E que, como ela me ama, não quer decididamente
Que eu me sinta culpado
Porque o dia da morte é para todos algo incontrolado.

A fragilidade da menina dos meus pensamentos
foi substituída pela força dos seus sentimentos
Me dizendo adeus e que não preciso pensar
como deveria salvá-la
Para ser homem de verdade,
Mas sim, que precisaria amá-la
E aceitar a minha realidade...

Nos despedimos de Sara que partiu em espírito
certificando-se que estou um pouco melhor embora seja difícil
Vê-la tão pequena indo embora
Porque simplesmente havia chegado a sua hora.

Voltamos na vassoura com Morgan para o colégio.
Agradecemos a bruxa que nos deixou em cima do prédio.
A bruxa disse que qualquer coisa poderíamos a chamar                           
Em nossa mente porque ela está sempre disposta a ajudar.

Amélie disse que não acha que eu seja um assassino de verdade
E que tenha a possibilidade de ressignificar esse momento com o olhar de uma fatalidade..
Amélie acha que meus pais estivessem se sentindo culpados
E aí, descontaram em mim como estavam se sentindo agoniados. 

Tive uma conversa com meus pais difícil, importante, especial e grande
Em que rompemos com o tabu da morte de Sara por um instante.
Demonstramos nossos sentimentos abrindo o jogo,
quando chegou a hora do almoço.

Ao realmente, sem hipocrisia, conversar juntos,
Pudemos dizer sobre nossa necessidade de perdão mútuo.
Fomos honestos durante o tempo inteiro.
Depois desse dia, conseguimos melhorar nosso relacionamento
o deixando mais verdadeiro.

Cada um agradeceu por não precisar fingir seu sentimento.
Cada um tirou as máscaras revelando o ser verdadeiro.  
Eles se emocionaram com minha conversa com Sara real ou na minha mente,
E depois chegou Amélie com um saco de pipocas rindo zombeteiramente…

Amélie disse zoando que dessa vez, não vai queimar, pois ela estará me ajudando. 
Eu ri e disse: "Garota, tá me zoando?" Ela disse que sim brincando.
Então, eu comecei a correr atrás dela pelo condomínio
e ela com um brilho no olhar estava rindo…

Passamos pelos meninos
jogando futebol na quadra.
E enquanto ela ria e atrás dela eu corria,
Percebi que Luke na quadra de ciúme se contorcia…

Comentário: Fiz duas partes nesse episódio. Senti necessidade de ter duas para dimensionar melhor a temporalidade da história. Inspirada nos vídeos do Leo Hwan. 
1997 - Ano que Amélie e Charlie se mudam para o condomínio de casas e apartamentos em que conhece David. 
2000 - Ano que Amélie conhece a passagem secreta em sua casa de praia e conhece Louise. Em seguida, Gabriely entra no colégio. 
Mais Personagens Apresentados até aqui: Morgan, Susan Klein, Lisa, Richard, Luke Coleman, Marc e Jack. 

Outros desenhos que eu gostei para o personagem David Stewart:


By Skissa, Rita Ansikten.




By Skissa, Rita Ansikten.

Postagem em destaque

Virada Histórica

 Ontem, eu estava apreensiva, com o resultado da eleição, com o risco de uma opressiva e destrutiva ditadura na nação.  Me emocionei com a m...