06 outubro, 2020

Caladas Falem




🤐 Caladas Falem

Ei, Criança!

Quanta desesperança,

tristeza e agonia

seu olhar passou quando me via!


Lá estava eu passando pela movimentada avenida,

quando te vi atrás do portão, uma pequena menina,

com os olhos tão entristecidos me olhando

como se estivessem comigo falando.


Um olhar gritando por socorro sem cor.

É uma criança triste a cada soco da dor.

Ei criança, o que aconteceu com você?

Alguém te violenta discretamente ou o quê?


Não me pareceu um olhar de tristeza meramente comum,

Mas me senti culpada diante de ti, pois sou qualquer um.

Na minha cabeça, eu estaria te estimulando

a conversar com estranhos e por isso, segui passando.

Hoje me arrependo...


Na época, eu não dei a ti a devida importância,

mas após ver o tanto de criança violada, sinto ânsia

de te procurar até nesse mundo encontrar

e um interesse humano profundo demonstrar.


Sabe, têm tantos pais preocupados que acreditam na estratégia da violência

Como melhor forma de ensinar, pois a fria advertência,

Segundo eles, pela culpa a educaria,

Mas não pensam se com isso te entristeceria...


Crianças assim como você todos os dias, lamentavelmente, sofrem sozinhas

Em suas casas sem ninguém, minimamente, fazerem companhia

Como se fossem prisioneiras das hierarquias e posições fechadas

que as fazem permanecerem sem autonomia nem empatia caladas.


Por trás da grade,

calada você falava...

Por trás da face,

eu sei que você chorava...

E eu só queria poder dizer a ti

que eu estou aqui...


Beatriz Nahas

https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2014/02/26/crianca-da-sinais-quando-e-maltratada-pelo-padrasto-ou-madrasta.htm


02 outubro, 2020

Um Cara Na Porta

 

Um cara abre a porta do meu quarto
De repente, numa velocidade só.
E quando me vê na cama, vem se aproximando
E um olhar travesso me lança.

Ele fita seriamente meus olhos,
Meu corpo numa camisola
Vermelha com bolas brancas,
Passa pela minha boca
E retorna aos meus olhos novamente
Como se tivesse pedindo permissão.

Eu assinto para sentir seu toque
Não desviando do seu olhar
E ele me beija com tanta vontade
Que me tira o fôlego
Pelas suas mãos tão grandes
Conhecerem cada centímetro do meu rosto,
Do meu cabelo, perna, seios,... do meu corpo
Com tanto carinho e desejo.

Oh Puro desejo!
Um beijo
Lento
Sedento
É como um acalento.

Me sinto com vontade de te conhecer também
Como se fosse uma trilha desconhecida
Em que levasse a uma colina
Tão rara e preciosa
Como uma noite de prazer gostosa.

Só isso você esperaria de mim.
Só isso eu esperaria de você
A não ser que quiséssemos mais...

26 setembro, 2020

No Elevador

 


Foi justamente no momento
que o elevador parou
Que a gente se beijou...

Foi realmente um excitamento
quando teu peito no escuro toquei
e inevitavelmente não me segurei.

Foi crescente o sentimento
quando nossa roupa tiramos
E descompromissadamente transamos.

Foi à beira do enlouquecimento
quando o elevador voltou, a subir recomeçou e assim que parou,
Junto com um frio na barriga, a gente gozou...

Essas poesias que estou fazendo explorando as fantasias sexuais são para brincar. Não levem a sério. Obrigada

08 setembro, 2020

Ilusão Estúpida


Eu tento ignorar, 
mas eu quero mais.
O que posso fazer?
Vou enlouquecer...
Penso muito em você...
Tento refrear os desejos...
Mas quanto mais eu tento, 
mais eu me perco
em tentativas falhas
de estupidamente me iludir
ao pensar que não te desejo mais...
Oh meu amor!! Te desejo mais do que gostaria...
Te desejo mais do que deveria...
Te desejo mais do que poderia desejar...

Ouvindo a música da Katie Thompson "Whats love got to do with it"

07 setembro, 2020

Doida por Você




Doida por Você 

Sei que não sou boa o bastante. 
Sei que não sou a melhor,
a mais inteligente
nem tão pouco a mais bonita.
Mas o que sinto é verdadeiro. 
Não me deixe aqui nessa madrugada sozinha
com todo esse sentimento capaz de transbordar.
Eu quero muito com você dividir... que você o sinta!
Ele é grande demais para ficar só aqui dentro. 
Eu posso ficar doente
com tudo isso guardado! rsrs
Me dê uma chance de te mostrar...
Eu estou doida para te amar...

Ouvindo "it doesnt hurt" de Katie Thompson

05 setembro, 2020

Verme Enfermo


Num dia qualquer desses, 
eu acordei
me sentindo estranho
como se fosse diferente
e como se não fosse mais aquela criança
Só com olhar de esperança. 

Acordei num dia desses
sem braços nem pernas
sem crânio nem bunda
sem tronco nem bacia
sem língua nem orelhas
sem pulmão nem coração...

Num dia desses, 
tornei-me pequeno, 
apequenei-me na minha dor;
tornei-me um verme, 
Renunciei-me de ser pessoa;
tornei-me desumano, 
rejeitei-me de ser quem sou. 

Tornei-me um verme 
Despersonalizei-me
Desumanizei-me
Sem sentimentos,
sem vontades,
Sem desejos,
Sem medos,
Desfiz-me. 

Num outro dia daqueles, 
a pessoa acordou. 
Refiz-me!
Personalizei-me.
Tornei-me grande.
Engrandeci-me. 
Exaltei-me.
Pareceu que existi
ainda rejeitando-me. 

Num dia daqueles,
Chorei
e gritei,
Mas ainda assim, tinha esperança 
de que a criança
ainda existia
porque minhas emoções
embora descontroladas eu sentia...
Parecia que vivia 
ou que sobrevivia...

E ia assim... 
Num ciclo interminável, 
Num dia, verme
Que não respira.
Noutro dia, pessoa
que chora e grita, 
Via natural
como de um habitual 
animal
sobrenatural,
especial,
surreal
de sobreviver entre o
Desfazer-se
E o refazer-se.

E nesse ciclo de dias 
desses e daqueles
intermináveis, 
insuportáveis, 
indecifráveis, 
bipolares,
lunares, 
solares, 
eu não sabia mais 
quem eu era...


Documento do poema:
Eu tive várias inspirações para fazer esse poema:
1. Esse poema é uma segunda versão do poema "Palavra Secreta". Também me inspirei na palavra "Refazer-se" e no texto que se encontra no documento dessa poesia. Ou até mesmo acredito até que o poema "Palavra Secreta" que vai vir depois dessa postagem é uma sequencia desse poema "Verme" acima. Acredito que os dois poemas tenham uma grande relação ótima de ler um atrás do outro.

2. Acredito que, mesmo não tendo sido a intenção, eu me inspirei um pouco na obra de Kafka em que ele se transforma num besouro... Sinto uma atmosfera semelhante, apesar de ter muitas diferenças.

04 setembro, 2020

Uma Palavra Secreta

                   

Há uma palavra atualmente
que parece gravada na mente 
como uma mensagem da minha mãe querida 
ou como um sinal do anjo da minha vida. 

É uma palavra que apareceu numa leitura
e agora não sai da memória feito gravura. 
Imagino cada letra, sílaba e fonema. 
Escuto o seu som num som de cinema. 

Quando estiver ouvindo
As vozes de pessoas me diminuindo
em detrimento daquelas que me ajudam, 
Eu me lembrarei do perfume que exalam...

É uma palavra como um mantra.
É uma oração para tornar-me mansa. 
Escutarei meu sentimento 
e o que estou me dizendo. 

A partir dessa palavrinha mágica, 
escreverei uma nova página
procurando não me violentar
julgando o sentimento que eu quiser falar.

No quarto escuro, 
uma voz pesada escuto 
E sinto todo o vazio do lamento
de me sentir como um jumento.

Essa voz pesada contra meu mundo
aterroriza-me reduzindo o segundo
A um verme insignificante 
como o meu eu semelhante...

A voz da sombra enfatiza
o quanto eu sou um verme na vida 
que no esgoto apodrecerá
com um futuro que me decepcionará. 

Para quê viver então?
Para quê bater um coração 
fadado a decepções e lágrimas
incapaz de aprender com as mágoas? 

Essa voz pesada é muito também devido
À nossa cultura violenta ainda incidindo
que faz a gente não saber se expressar
e não saber as palavras melhores para usar... 

Essa voz pesada veio de alguém
que não está isenta também 
de ser violenta com ela mesma
já que dita aos outros uma sentença. 

A sentença do que é correto
ignora o egoísmo secreto
da possibilidade de olhar 
por diferentes ângulos um mesmo lugar. 

Estamos em construção
A cada situação. 
Não sou o mesmo de anos atrás. 
Me sinto mutável cada vez mais...

Se eu me vejo mudando, 
consigo ver o outro transformando
tudo a seu tempo,
tudo a seu jeito...

Não determinarei o fim da minha vida
por causa de alguém que desconhece a empatia. 
Procurarei me olhar de perto com ternura,
Quando ouvir essas vozes pesadas em amargura. 

Sempre que ouvir no quarto escuro
essas vozes pesadas contra meu eu profundo, 
Eu procurarei me lembrar da palavra mágica
"Refazer-se" para escrever uma nova página. 

Quero procurar me refazer e me ver
Não mais como verme, mas sim,  me perceber
como uma humana que se desconstrói
A cada dia nessa cultura violenta que dói...  

Quero refazer-me a cada segundo
dando valor a ele para o meu mundo
poder se reconstruir dinamicamente
ao me ver como uma mutável vivente.


Documento da poesia:

Tô na cabeça a palavra "refazer-se" com a qual pretendo fazer mais poesias. Essa palavra chegou a mim a partir da leitura de um livro chamado "ânimo" de Lourival Lopes que me tocou muito: 
"REFAZER-SE
Ainda que sintas enorme fraqueza e te vejas sem futuro e sem paz, não te admitas sem condições de refazimento.
Examina ao redor de ti e vê a Natureza que, mesmo agredida e usada, prossegue renascendo e embelezando-se. ´E assim com o Sol, a renovar as luzes; com o ar, a se desfazer das fumaças; com as águas, a de despoluírem; e com as árvores, a renovarem as suas folhas, flores e frutos.
Refaze-te.
Deixa-te preencher de esperança e faze maiores voos do espírito. Abre-te ao amor a tu, aos outros e a Deus e reconhece as tuas qualidades e potencialidades de amor.
Tem fortaleza de espírito.
A planta, mesmo no escuro, sente o chamado da luz e rompe a terra. "


Nesse poema, há referências a poemas anteriores: "Sombra" e "Quarto escuro". 
E também é o poema feito que inspirou o meu poema mais recente chamado "Verme Enfermo". 

28 agosto, 2020

Barco à Deriva



Vejo um barco parado
no meio do mar
como o meu eu desanimado
sem vontade de continuar.

É um barco sem motor,
sem bússola nem âncora
prestes a se inundar de dor
seja aonde for que corra.

Ele pode ir para qualquer lugar
pela força do vento que continuará
parado sem conseguir se deslocar
com o mesmo sentimento que o adoecerá.

O barco à deriva permanece
E num pesar cultural se enfraquece
aos olhos daqueles velozes
que passam por ele mais "fortes".

Os outros barcos o olham
e seu motor quebrado reprovam
dizendo que é um incompetente,
fraco e incapacitado vivente.

Eles veem a vida como uma empresa
por não entenderem a não lucrativa tristeza
do barco na azulada imensidão
do céu e do mar na depressão.

O barco sem empatia e autenticidade fica à deriva
se desconectando da interna e humana energia da vida,
que o faria escolher por si mesmo ligar o motor
e fazer as coisas sem obrigação e mais amor.

E assim ele está por aí nesse momento
como o barco que parou no espaço e tempo
Até agora esperando ser tratado e encontrado
antes que seja tarde demais e esteja afogado.

Que a investigação em nós mesmos
comece pela nação e aqui dentro
para procurarmos pelos oceanos esse barco à deriva
E nos conectarmos com ele sem violência e mais empatia!
Procurem ajuda especializada!!! depressão não é passageira assim. É sério.

26 agosto, 2020

Ao Som do Tango

O olhar profundo e intenso 
Revela o segredo do desejo.
Dois corpos despertam a paixão
Com o fogo incandescente da sedução.

Embalados por faíscas e chamas,
Dançam em cima de suas camas
Compenetrados nos passos
à beira de beijos e amassos.

Eu os vejo deslizando pela cama numa euforia,
E percebo que não é deles; é minha a fantasia
Porque sou apenas um solitário bandoneonista que toca um instrumento
E que deseja não mais tocar e sim, dançar em sua cama neste momento....

Beatriz Nahas

Essa poesia foi feita para interagir com o soneto de Sonia Azevedo que é uma amiga de muitos anos do Recanto das Letras. Link: https://www.recantodasletras.com.br/sonetos/7035843

19 agosto, 2020

Sara Punida

Sara Punida ( prosa poética/ conto)

Sara tenta esquecer o que aconteceu, mas não é possível porque as lembranças estão na sua mala como roupas amarrotadas.
As roupas dão indício do que fez e de onde esteve.
Mas a mala está trancada. Ninguém pode saber...
Sara não contou diretamente para ninguém o que aconteceu por puro receio do que pudessem dizer.
Com certeza, a julgariam e não a entenderiam, mas é a verdade: Sara viu a morte... As roupas dela estavam encharcadas de angústia ou culpa. Sim... Seria possível?!
Podem-se dizer que as roupas dela estavam encharcadas do sangue que escorria do seu braço auto-mutilado, violentado, punido por agir... Afinal, quando errava, merecia ser punida... Tão insuficiente assim não queria mais viver... Mas Sara só conseguia ver que estava encharcada de angústia ou culpa.
Sara tentou se matar e chegou a ver a morte de muito perto.
Ela guardou no armário do seu quarto escuro seu segredo numa mala trancada pela vergonha de confessar seu desejo de se matar.
Ao ver mentalmente as fotos do seu passado com cor de gris, Sara se punia por pensar certas coisas dos outros e de si mesma parecendo se relacionar com o mundo e consigo a partir de violências e cobranças por não ter agido de uma forma "correta". Que se dane o sentimento! "Não seja fraca"- pensava ela. Diversos pensamentos a rondavam contra ela mesma. 
Desde essa primeira tentativa de automutilação, Sara pendurou na porta do seu armário fotos pretas do futuro desconhecido. Fotos pretas de amigos e amigas sem rosto. Fotos pretas de amores futuros. Fotos pretas com a família... Fotos pretas de planos que poderiam ser realizados... Fotos pretas de novos aprendizados... Fotos pretas que escondem outras possibilidades.
O medo do desconhecido é latente e gritante que dá vontade de que permaneçam fotos escuras. É uma angústia do futuro que está por vir. Há em cada escolha, uma renúncia de outra... Mas não quer dizer que numa outra hora, a gente não possa escolher o que renunciamos. É possível recomeçar...
Sara começava a sentir, sem querer assumir, um vislumbre do que parecia ser uma curiosidade de como seriam tais fotos com cor.
Mesmo assim, com a possibilidade de continuar sendo machucada e decepcionada, Sara não quis ver tais fotos porque para ela a angústia era o mesmo do que a culpa. São sinônimas. Não conseguia ver a possibilidade de se sentir frustrada ou angustiada quando uma necessidade não era atendida sem tanta culpa por como agiu ou se sentiu porque era difícil se permitir experimentar coisas novas e por vezes se entristecer e/ou se alegrar com elas. Não conseguia ver porque talvez não estivesse acostumada a olhar com atenção aos seus sentimentos dando mais valor aos julgamentos a ela mesma... Ela sofria com a falta de empatia das pessoas ao redor com ela, mas a dela com ela mesma foi a mais esmagadora que a fazia querer partir... Ou talvez estivesse com depressão a dificultando sentir prazer. A culpa desse sentimento a engoliu sozinha sem querer aceitar ajuda e por isso, não sabia o motivo de não ter forças pra nada. 
Com roupas encharcadas de uma profunda angústia ou culpa, agora o coração exausto de Sara estava mutilado sangrando com uma estaca afiada no seu centro, sendo assim punido por sentir e se ver assim tão insuficiente.
Ela não mais escondeu a mala com sangue... Sara viu a morte de bem perto... mais perto impossível...
Só deu tempo de um último pensamento: "As fotos penduradas no meu guarda-roupa vão permanecer escuras". 
E foi aí que Sara sentiu uma leve tristeza e posteriormente um resquício do que seria uma curiosidade para desvendá-las mais uma vez. Mas já era tarde demais...

18 agosto, 2020

Quarto Escuro


O quarto escuro me convida
a falar de frente em frente
com a grandiosa ferida
que abri na minha mente.

O cobertor me abraça
para eu chorar nele todinho
me mostrando não estar sozinho
quando minha ferida ataca.

O travesseiro me vigia
quando minha mente sentia
vontade de literalmente sumir,
pois ele a faz se ouvir.

O quarto escuro
em que escuto
vozes pesadas contra meu mundo
se transforma num quarto mudo.

E passo a ouvir o escuro do silêncio
de poder me ouvir por um tempo
como se me queimasse num incêndio,
mas estivesse viva por um momento...

Eu tento transformar na minha mente
o quarto escuro na minha frente
como se fosse um novo quarto, mas, às vezes, é em vão
porque há um buraco no meu coração... 

Postagem em destaque

Virada Histórica

 Ontem, eu estava apreensiva, com o resultado da eleição, com o risco de uma opressiva e destrutiva ditadura na nação.  Me emocionei com a m...